Nascimento

O nascimento de um filho é um dos momentos mais importantes da vida de uma mulher. Pode ser uma experiência muito prazerosa e de grande aprendizado.

A mulher tem o direito de escolher a forma como seu bebê virá ao mundo e para isso deve estar bem informada sobre suas escolhas.

O parto é um ritual de passagem do estado de grávida para mãe. É possível passar por um trabalho de parto de forma tranqüila se a mulher estiver bem apoiada e segura. A dor faz parte do processo, mas existem técnicas naturais e medicamentosas para amenizá-la.

O nascimento pode ser suave tanto num parto normal como numa cesariana. Informe-se de todas as possibilidades.

Parto Normal e Cesariana

Parto Normal

Parto vaginal espontâneo é definido como o parto que inicia e evolui espontaneamente, culminando com a expulsão do bebê sem intervenção. Durante o acompanhamento do parto vaginal espontâneo, poderão ser realizados procedimentos como toques vaginais para avaliação da dilatação do colo uterino e descida do feto, ausculta dos batimentos cardíacos fetais por meio de detector fetal ou cardiotocografia, amniotomia (ruptura da bolsa d’água), episiotomia e infusão de soro com ocitocina para estimular as contrações uterinas caso estejam insuficientes. 

O parto vaginal em geral ocorre sem intercorrências, porém pode haver necessidade de abreviar o parto por meio de fórcipe ou vácuo-extrator. Cesárea de emergência também pode ser necessária durante o trabalho de parto se houver suspeita de sofrimento fetal, ou evolução insatisfatória que possa causar algum risco pra a mãe ou o bebê. 

Procedimentos e intervenções mais comuns na assistência ao parto:

  • ENEMA – é a lavagem intestinal. Não é necessária e nem indicada se o intestino funcionou nas ultimas 24 horas. Porém, caso a gestante prefira poderá solicitar fazer.
  • TRICOTOMIA – consiste na raspagem de pelos. Não diminui a incidência de infecções e o crescimento no pós-paórto pode ser bastante desconfortável. O ideal é deixar os pelos como normalmente eles são e apenas apará-los antes do parto para facilitar a limpeza no pós-parto. Ainda, a depilação com lâmina não é aconselhada próxima a data provável porque  pode causar foliculite.
  • INDUÇÃO OU CONDUÇÃO DO PARTO: consiste no uso de medicamentos para iniciar o parto, pode ser a ocitocina diluída em soro e aplicada na veia ou o misoprostol em comprimidos para uso vaginal. O parto também pode ser induzido por meio do descolamento da bolsa das águas, que consiste em realizar um toque vaginal e separar com os dedos a bolsa das águas da parte inferior do útero.  Algumas vezes é necessário intervir para corrigir a dinâmica das contrações durante o trabalho de parto. Nesses casos também poderá ser utilizada a ocitocina sintética.
  • CARDIOTOCOGRAFIA INTRAPARTO: consiste na utilização de um dispositivo eletrônico (cardiotocógrafo) para avaliar os batimentos cardíacos fetais e as contrações uterinas, por meio desta avaliação é possível estabelecer se o bebê está em boas condições ou em sofrimento. A cardiotocografia é recomendada para casos de risco e pode dar resultados falso positivos, ou seja, um exame que indica haver sofrimento fetal, quando na verdade o feto está bem. O contrário é incomum, ou seja, se a cardiotocografia é normal o feto quase sempre está bem.
  • AMNIOTOMIA: é o rompimento da bolsa amniótica realizada artificialmente com ajuda de um instrumento específico para este fim que é o amniótomo. O rompimento da bolsa pode ser indicado quando se suspeita de sofrimento fetal e se deseja observar o aspecto do líquido amniótico, que em alguns casos pode estar misturado com mecônio (fezes fetais) ou para corrigir a contratilidade uterina quando esta for insuficiente.
  • EPISIOTOMIA: consiste na realização de um corte na vagina que visa ampliar o espaço para a saída do bebê. Não deve ser utilizada de rotina, e sim quando houver necessidade (leia sobre episiotomia em www.drcarlosminer.com.br).
  • ANALGESIA PARA PARTO VAGINAL (realizada pelo anestesiologista): consiste na injeção de anestésicos e derivados da morfina na coluna para reduzir bastante e até eliminar completamente a dor do parto. A analgesia pode ser realizada a pedido da gestante em qualquer momento do trabalho de parto, porem se o parto for iminente pode não haver tempo hábil para realizá-la. Em alguns casos a analgesia  pode diminuir a capacidade da gestante de empurrar o bebê e aumentar a necessidade de uso ocitocina, fórcipe ou vácuo-extrator. 
  • PARTO VAGINAL ASSISTIDO POR FÓRCIPE OU VÁCUO-EXTRATOR: é o parto vaginal em que se usa o fórcipe ou o vácuo-extrator para retirar o feto, isto pode ser necessário se houver exaustão materna, incapacidade da gestante de expulsar o bebê por suas próprias forças ou se houver suspeita de que o bebê esteja em sofrimento (diminuição da oxigenação) e seja necessário que o parto ocorra rapidamente.

Fórcipe – é um instrumento metálico que é aplicado à cabeça do bebê e tracionado, pode ocorrer uma marca na pele da face ou couro cabeludo do bebê que desaparece em alguns dias, o fórcipe que se utiliza atualmente é bastante seguro e com pouco risco de complicações.

Vácuo-extrator – é uma ventosa que é aplicada à cabeça do bebê e tracionada, à semelhança do fórcipe pode ficar uma marca no couro cabeludo fetal, que também desaparece rapidamente.

forcipes

Cesárea

A cesárea é uma cirurgia de grande porte que consiste na retirada do feto por meio de uma incisão na parede abdominal e útero. A cesárea atual é bastante segura, porém como toda cirurgia tem potencial de complicações. A cesárea pode ser realizada antes do início do trabalho de parto (cesárea eletiva) ou durante o TP (de emergência). Uso a técnica de cesárea chamada Misdach Ladach, também chamada de minimamente invasiva, esta técnica é mais rápida, e resulta em uma recuperação mais rápida e menos dolorosa. 

Tipos de partos

  • NATURAL: Definido com parto que começa e termina espontaneamente, sem anestesia ou uso de ocitocina sintética.
  • NORMAL COM ANALGESIA: Parto vaginal em que foi administrada analgesia  pelo anestesiologista.
  • CÓCORAS: Com analgesia ou não mas que durante a expulsão do bebê, a mulher assume uma posição de cócoras, pode ser ou não apoiada por um acompanhante ou com auxílio de uma banqueta especial para partos.
  • NA ÁGUA: Durante o período de dilatação e expulsão a gestante fica imersa em água em torno de 37°C. A água quente ajuda a relaxar e diminuir a dor.  Neste caso não se usa analgesia. Se a gestante após estar na banheira de parto, solicitar analgesia, terá que sair da água e o parto ocorrerá fora da água.

A importância dos componentes humano e físico no trabalho de parto e parto

O parto é um evento fisiológico e os componentes externos influem para ajudar ou atrapalhar sua evolução.

No ambiente hospitalar, cercada por pessoas estranhas que precisam preocupar-se com os aspectos técnicos ligados ao parto, é comum a mulher sentir medo e acabar entrando num ciclo de medo, tensão e dor, fazendo com que o nível de adrenalina aumente e iniba o trabalho de parto. 

Neste momento, ajudá-la para que se sinta confortável, amparada, é muito importante para que seu corpo restabeleça o equilíbrio entre os hormônios envolvidos no parto, principalmente a ocitocina, e o trabalho de parto continue evoluindo.

A ocitocina tem papel fundamental no parto e na amamentação. Ele estimula as contrações uterinas para o parto e para a expulsão da placenta e também estimula o reflexo da ejeção de leite. É o hormônio do amor, da entrega, da maternagem.

A adrenalina é o hormônio da fuga, do medo, do pânico. Seu aumento faz com que o trabalho de parto seja inibido ou até interrompido. Do ponto de vista evolutivo, a função deste hormônio é importantíssima, pois uma fêmea (ou mulher) em perigo precisa poder interromper o trabalho de parto para fugir até que possa dar à luz em segurança.

A ocitocina e a adrenalina são hormônios antagônicos. Quando um aumenta o outro diminui.

Para possibilitar a produção de ocitocina, a mulher deve se sentir amparada, num ambiente de silêncio e privacidade, com pouca luz, temperatura agradável, com liberdade de posição e deambulação, para que possa acessar as partes mais primitivas do cérebro, conectar-se consigo e fazer o que seu corpo pede. Isso facilita o trabalho de parto e faz com que a experiência seja mais positiva e prazerosa.

O ambiente hospitalar pode atrapalhar o bom desenvolvimento do trabalho de parto em muitos aspectos: luz ofuscante, ambiente frio e desconfortável, pessoas estranhas, barulho e interrupções constantes de pessoas circulando pelo ambiente, além de interferências diretas, como comandos inadequados ao estágio de evolução do trabalho de parto. Todos estes fatores fazem com que a mulher constantemente tenha que pensar racionalmente, ativando seu neo-córtex, e não permita se entregar à sucessão de fenômenos, aperfeiçoados ao longo de milhares de anos, que ocorrem em seu corpo.

Neste sentido, o apoio humano é fundamental. Cabe à equipe que está assistindo a mulher promover esse ambiente favorável, apagando a luz quando possível para manter o ambiente na penumbra, aquecer ou refrigerar o ambiente, evitar conversas paralelas, evitar falar com a mulher durante as contrações para que ela possa concentrar-se no seu corpo, incentivá-la dizendo que está indo bem e “traduzir” para ela o que está acontecendo com o seu corpo.

Aprender a lidar com a dor também faz muita diferença. Dor não significa necessariamente sofrimento. A dor do trabalho de parto é fisiológica e tem um sentido. É, ou deveria ser vista, como uma dor bem-vinda que ajudará a trazer o bebê ao mundo.

Promover o aleitamento na primeira hora de vida faz a diferença entre o sucesso e fracasso na amamentação. Na primeira hora o bebê está extremamente atento ao mundo, e o contato com a mãe é muito benéfico. Segundo estudos, a temperatura corporal do recém-nascido aumenta em até meio grau em contato com a mãe, fazendo com que berços aquecidos sejam totalmente dispensáveis, a não ser em casos em que a criança precise sofrer alguma intervenção imediata, como estimulo ou  ressuscitação. É o momento da formação do vínculo entre a mãe e o bebê, um momento único que não se pode recuperar mais tarde.

Mesmo bebês nascidos de cesariana podem e devem ser amamentados na primeira hora. Para tanto a assistência de outra pessoa faz-se necessária.

Trabalho de parto

O trabalho de parto pode ter inicio:

  1. Pela ruptura da bolsa de águas;
  2. Pelas contrações uterinas.

É comum a perda do tampão mucoso antes do inicio do trabalho de parto. Não é um sinal de trabalho de parto, mas sim de que o corpo está trabalhando. Pode acontecer até 15 dias antes do início do TP, ou então, durante o próprio trabalho de parto. O tampão mucoso sela o orifício cervical durante a gestação e consiste em uma secreção espessa, consistente que pode conter raias de sangue.

A ruptura da bolsa d’águas não significa inicio de trabalho de parto propriamente dito. Em torno de 20% das mulheres tem a bolsa rota antes do início. Num prazo de 8 horas em cerca de 80% dos casos o trabalho de parto inicia-se espontaneamente, no restante algumas vezes é necessário utilizar métodos de indução. 

Quando ocorre a ruptura da bolsa é importante observar a cor do líquido – que é claro (entre esbranquiçado e rosado) podendo conter grumos como água de coco – e o cheiro – que se assemelha a água sanitária. 

O mais comum é o trabalho de parto iniciar-se com as contrações uterinas. As contrações tem a função de esvaecer o colo e dilatar. Normalmente alguns dias antes de iniciar-se o trabalho de parto o colo uterino começa a amolecer, ficar mais macio. As contrações de parto são diferentes das contrações de Braxton Hicks, pois é uma contração de todo o segmento uterino e não apenas de parte dele. Comumente a contração vem acompanhada de uma dor no baixo ventre ou então da lombar para o baixo ventre o que é conhecida como contração em cinta.

O Trabalho de Parto se divide em 3 estágios: dilatação, expulsivo e dequitação.

Dilatação

O período de dilatação é composto pela fase latente, fase ativa e transição.

Fase Latente

O trabalho de parto normalmente começa com contrações fracas e incomodas a cada 20 ou 30 minutos e duram em média 20 – 30 segundos.

Conforme vai progredindo, o intervalo entre elas diminui e a intensidade aumenta.

Nessa fase o importante é descansar, distrair e se alimentar. A fase latente pode durar muitas horas e quanto mais tranqüila a mulher estiver, mas fácil será passar por essa fase e economizar energias para a fase ativa que requer uma postura mais ativa.

Se começar de madrugada o ideal é tentar dormir. Uma bolsa de água quente alivia bastante a dor.

É possível dormir no intervalo das contrações. Se elas estiverem a cada 10 minutos e possível descansar 9 minutos entre elas.

Na fase latente a dilatação não é expressiva, pois sua principal função é amolecer e afinar o colo uterino.

Fase Ativa

Quando as contrações estão a cada 3 minutos com duração de 45-60 segundos (3 contrações a cada 10 minutos) atinge-se a fase ativa.

Nesta fase dificilmente dá para ficar parada, então movimentar o corpo, buscar posições verticais, movimentar o quadril podem ajudar muito na evolução do trabalho de parto e também no manejo da dor.

É importante manter-se hidratada, principalmente em caso de bolsa rota, pois agora o corpo exige bastante.

Um ambiente calmo, com pouca luz, aquecido, auxilia muito. Estar cercada por pessoas que possam ajudar também.

Nesta fase massagens, banhos quentes, exercícios na bola, são bem vindos.

A dilatação estará em torno de 5 cm de dilatação.

Nesta fase a média de dilatação é de 1 cm por hora.

Transição

Quando a dilatação atinge 7 cm chega-se a fase mais difícil do trabalho de parto. É chamada de transição. É nesse momento que o trabalho de parto atinge o ápice e é muito comum a mulher achar que não dará conta. Com apoio é possível passar bem por esta fase. Banho quente ajuda bastante. Essa fase segue até a dilatação completa: 10 cm. 

Expulsivo

Com a dilatação completa inicia-se o período expulsivo. A partir de então, em algum momento a mulher começará a sentir mais pressão e vontade de empurrar.  O ideal é fazer o que o corpo pede, sem medo.

O período expulsivo pode durar minutos e até horas. É normal o bebê descer e voltar um pouquinho, esse movimento trabalha o períneo e previne a laceração.

Dequitação

Após o nascimento do bebê há a dequitação da placenta que normalmente é bem tranqüila. Até a dequitação, é normal a mulher continuar sentindo contrações, muito mais amenas que as do parto.

Momento do Nascimento 

Corte do Cordão

Atualmente recomenda-se aguardar pelo menos 2 (dois) minutos após o nascimento do bebê ou até o cordão parar de pulsar para pinçar e cortar o cordão umbilical. 

Participação do pai

Incentivamos a participação do pai durante todo o trabalho de parto e parto, seu apoio é fundamental para dar confiança e tranquilidade para a mamãe. O pai pode cortar o cordão e até aparar o bebê se desejar.  

Ambiente

O ideal é que o parto ocorra em um ambiente de privacidade e silêncio. Procuramos adaptar as condições da maternidade o melhor possível, porém nem sempre isto é possível, pois é um ambiente de grande movimento de pessoas. Na maternidade Curitiba existe a possibilidade do parto ocorrer numa suíte adaptada ou na sala de parto convencional. No Hospital Santa Cruz a sala de parto já é adaptada.  

Contato com a pele

Acreditamos que o contato pele a pele entre a mãe e o bebê imediatamente após o parto seja benéfico para ambos, fortalecendo o vínculo e facilitando o início do processo de amamentação.

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