Relato de parto – Camila Voigt

História do parto da Manuela

“Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste”. Freud

Esse é o relato de um VBAC (vaginal birth after cesarean) e, por isso, preciso começar contando, mesmo que brevemente, como foi a experiência do nascimento do meu primeiro filho, Frederico, hoje com 3 anos e meio.

Sempre senti muita vontade de ser mãe, fazer parto normal, amamentar, cuidar de filhos. Aos 26 anos, quando estava grávida do Frederico, infelizmente não estava informada e nem com a equipe certa. Confiei no GO que me atendia desde menina e acabei sendo induzida a uma cesária desnecessária. Comentava com ele durante todo o pré natal sobre minha vontade de fazer um parto, e ele desconversava, dizia que isso seria resolvido mais tarde; só que mais tarde, por volta de 35/36 semanas, ele veio a colocar empecilhos na minha gravidez. Falou em placenta amadurecida, do meu leve aumento na pressão arterial, ou seja, aos poucos, me convencia de que eu não teria a capacidade de fazer um parto natural. E foi assim que me senti quando aceitei marcar a cesariana, com 38 semanas e 3 dias de gestação.

Ter um filho nos braços é sempre maravilhoso, mas, na minha opinião, o processo da cesária agendada, que passou por arrumar as coisas em casa, esperar a hora da cirurgia, todas aquelas luzes e a preparação dos médicos, para então deitar imóvel numa maca e esperar tirarem o meu filho de forma tão invasiva, pois ele, naturalmente, não estava pronto e nem “esperava” por isso (tive a sensação clara de que o Frederico dormia durante todo o processo). Aí pude receber meu filho das mãos do médico, mesmo que ainda meio dopada. Mas logo depois tive ele afastado por um bom tempo, enquanto se consumava o procedimento pós-operatório. Enfim, tudo me pareceu um pouco desumano, frio, anti-natural, alienante, sem graça e, de fato, bem frustrante. Meu leite demorou a descer e também levou tempo para realizar que eu já era mãe. Complicaram o que seria da minha natureza, mas ainda bem que ela estava lá, no âmago do meu ser, e o amor que sentia pelo meu filho foi fazendo com que tudo se ajeitasse aos poucos e eu pudesse amamentá-lo até 1 ano e meio e ter com ele uma relação forte e apaixonada.

Mesmo realizada como mãe tinha certeza de que não poderia passar essa vida sem saber o que era um parto. Parir faz parte de um aspecto fundamental da natureza, e eu, sendo mulher, teria o privilégio de ser protagonista dessa experiência primordial da vida.

Grávida novamente, continuei os pré-natais com o mesmo GO – não sei por que cargas d’agua ainda confiava nele, talvez porque sou daquelas pessoas tradicionalista que vai ao McDonalds desde criança e sempre pede pelo numero 4.

Entretanto, dessa vez tive a sorte de conhecer minha amiga Betina, uma daquelas pessoas especiais e extraordinárias, que entrou na minha vida por acaso e fez com que seu olhar poderoso falasse diretamente com o meu coração. Foi esse olhar e tudo que ele significa para mim, além de uma amizade cheia de admiração, que me convenceu a procurar as pessoas certas; pessoas que mudariam a história da minha vida.

Encontrei apoio, segurança, informação, dedicação e muito carinho da equipe de parto humanizado, com a Paty como Doula – outra pessoa muito especial e presente de 2011.

Dessa vez estava consciente da minha opção pelo parto, teria a chance de parir como quisesse, durante a noite ou na aurora, a ordem era esperar a natureza agir, respeitando e sentindo todas as emoções que essa experiência única pudesse me proporcionar.

Mesmo com a equipe certa, continuei os pré-natais com meu antigo GO. Além de GO ele também era médico da família, o que me levava a achar que não poderia simplesmente sumir. Pensava que explicando o meu desejo pelo parto humanizado ele, é claro, me apoiaria. Ledo engano. Quando falei sobre o que desejava ele começou a me assustar, colocando os mesmos empecilhos da outra vez. Aproveitou o fato de me conhecer desde menina para tentar me impressionar, dizendo que tenho histórico de placenta amadurecida e calcificada, e que isso não seria bom na hora de forçá-la em um trabalho de parto (detalhe: o único indício de placenta amadurecida antes do tempo é o baixo peso fetal. Manuela sempre estava acima das medidas, nasceu com 3,700 Kg e 50 cm, super saudável!). Entendi que para ele somente importava o dinheiro e a comodidade; era muito mais fácil agendar uma cesária após o expediente do que ser surpreendido por um parto natural, que, afinal de contas, não tem hora nem tempo certos. Enfim, saí de lá tão mal, me senti desrespeitada, enganada. Lembrei da minha ingenuidade aos 26 anos, grávida pela primeira vez, e também de tudo que ele me fez passar. Saí dali com uma sensação péssima, para enfim nunca mais voltar. Sendo franca, até hoje, ao pensar nisso, me bate uma certa angústia, mas penso também que se não fosse assim não teria meu VBAC – e um VBAC lava a alma de uma forma que só quem passou pela experiência pode saber.

Os últimos tempos da gravidez da Manuela correram muito bem: caminhadas matinas religiosas com minha mãe, apoio e preparação nos encontros na casa da Paty e incentivadas frequentes da Betina. Sem esquecer da bíblia do parto ativo – aquele livro incrível na Janet Balaskas que me acompanhou durante os últimos meses pra cima e pra baixo.

Com 39 semanas completas e muita ansiedade, fui a mais uma consulta com o novo GO; 2 cm de dilatação e um “vai se preparando”. E como se preparar pra isso? Que frio na barriga, em pouco tempo estaria vivendo o momento mais intenso da minha vida, e de sobra ainda teria minha filha tão esperada nos braços.

Mais alguns dias e eis que chegou a hora, a natureza, eu e meu bebê, unidos e repletos de uma força grandiosa de querer viver, fazer viver. Manuela nasceu quando tinha de ser, sem ninguém determinar: dia 18/11/11, com 39 semanas e 4 dias.

Pouco mais de 2 dias antes, boa parte da minha concentração se voltou para o meu corpo, pois eu sentia algumas leves contrações. Foram momentos em que, involuntariamente, voltei-me completamente a mim mesma, o que me desligou de tudo o que era alheio ao meu corpo.

Eram 6 horas da tarde do dia 17, eu e o Lean (marido, amor, amigo e pessoa mais que especial na minha vida e nessa história toda) conversávamos e assistíamos nosso filho brincar na pracinha perto de casa, quando comecei a sentir dores mais intensas e regulares. Logo em seguida, quando fui ao banheiro, perdi um pouco de sangue e parte do chamado “tampão”. Ao anoitecer as dores ficaram mais regulares, de 20 em 20 minutos, algo me dizia que a madrugada seria longa. Começou então um mix de sensações na minha cabeça: alegria, ansiedade, medo, confiança… E mesmo com a Paty me dizendo para tentar descansar o máximo possível, eu não pregava o olho. O Lean estava ao meu lado o tempo todo, cochilando vez ou outra, mais sempre alerta a qualquer sintoma. Já no começo da madrugada as contrações estavam de 10 em 10 e cada vez mais intensas. Há essa hora eu estava realmente ansiosa. Fui controlando no relógio o tempo todo com um certo ar de felicidade por estar passando por tudo aquilo. Quando amanheceu, as dores foram ficando mais fortes; e eu já estava bem cansada, por isso tentei focar a concentração na minha filha, que logo estaria no bercinho que preparei pra ela ao lado da minha cama. A cada dor que sentia minha filha se aproximava do mergulho no mundo, era meu corpo se abrindo para dar passagem a ela e a essa vontade de vida.

Na manhã do dia 18, posso dizer que perdi a noção do tempo. As dores estavam tão fortes que precisava ir ao banheiro para vomitar (e não foi pouco); acho que fiz uma limpeza completa para só depois dar a luz a minha pequena. As dores vinham como uma onda, começavam fracas e então eu sabia: “começou de novo”. Até chegar no pico, o que sentia era uma dor indescritível, forte, intensa. Só lembro de dizer que algo parecia estar prestes a explodir dentro de mim. Nessas horas, tenho uma lembrança turva do desenho do tapete da minha sala, do Frederico que não parava de pular (por isso desejava muito que alguém viesse buscá-lo). Lembro também de sempre agarrar a mão do meu marido com força. Sentia muito enjoo, tremia, suava frio, não estava fácil.

Durante os intervalos eu andava pela casa, tentava voltar a mim. Liguei para minha mãe, que sempre apoiou meu sonho do parto natural, para minha amiga Betina que, com toda sua força, me deu mais coragem pra seguir adiante. Escrevi mensagens para algumas amigas pedindo que mandassem energia positiva.

Boa parte do tempo eu conversava com a Paty pelo telefone, em todo momento me senti segura e amparada. Então por volta das 13 horas, ela chegou na minha casa. Nessa hora as dores estavam realmente insuportáveis: contrações longas que duravam 1 minuto e meio e intervalos de mais ou menos 7 minutos. Ela me ajudava muito, com massagem nas costas, respiração e muita conversa. Todos esses pormenores me ajudaram a suportar mais um pouco aquelas horas tão difíceis.

Enfim, por volta das 14 horas, eu, a Paty e o Lean decidimos ir a maternidade. O caminho foi longo, a cada contração meu marido parava o carro no meio da rua. Nessa hora lembro de querer correr para algum lugar, na tentativa de escapar daquela dor TERRÍVEL. Quando a dor passava, tinha mais 7 minutos para, acreditem!: gargalhar com os papos da Paty e do Lean. A dor do parto é diferente de todas as outras dores que já havia sentido, é uma dor saudável, dor de vida. Agora, posso dizer que se trata de uma “dor” inserida em cada história de vida. Eu nunca tive medo dessa dor, sempre soube que dói muito. Mas também sempre questionei como lidamos com nossas dores, principalmente por que hoje em dia a cultura traz o imperativo de que todos temos que viver sorrindo. Por que camuflar a dor de existir, sempre presente na vida humana? Afinal, dor, sofrimento, prazer, alegria, tudo isso faz parte da vida como um todo, e evocando meu caro Nietzsche, em Ecce Homo: “Não há que desconsiderar nada do que existe, nada é dispensável”. Quero sempre ter forças para não viver a vida pela metade.

Cheguei na maternidade amparada, de um lado pela Paty e de outro pelo Lean, que carregava na outra mão uma bacia com um pouco de vômito. Eu já não tinha mais o que vomitar, mas a força vinha mesmo assim. Deve ter sido uma cena engraçada: eu, na recepção da maternidade, prestes a dar a luz e só com uma bacia na frente. Acho que os passantes deviam estar pensando: “Ninguém vai fazer nada?”

Só que, sinceramente, para mim não estava nada engraçado. Minha visão estava turva, minha concentração somente nas dores e os intervalos transformaram-se em um martírio pela espera da próxima contração. E a Paty ali do lado, fazendo massagem e dizendo: “Respira Camila, uma dor de cada vez.” Confesso que nessa hora meus pensamentos eram do tipo: “Onde eu fui me meter, isso é realmente terrível”. Só que tudo piorou mesmo quando a médica do plantão me examinou e disse: “3 cm de dilatação, aperte o cinto que a viagem vai começar”. Começar? como assim?, não pode ser. Então concluí que tudo o que havia passado até agora tinha sido por um mísero centímetro. Sendo assim, imaginei tudo que passaria até chegar aos 10 cm necessários. Comecei a questionar se não era daquelas mulheres que não tem dilatação suficiente, de que tanto se ouve falar. A cultura sobre parto natural no Brasil, todos os receios infundados, que, de alguma forma, estavam inseridos em mim, começaram a se manifestar. Fiquei insegura em relação ao parto e com medo do que viria pela frente.

Voltamos à recepção. O Lean terminava os papéis do internamento sem nenhuma pressa e eu pensava em um jeito de convencê-los que queria muito uma cesariana. Quando a Paty sentou do meu lado e disse: “Você está indo bem”. Pensei: “Bem? estou no meu limite e ainda tenho mais 7 centímetros para dilatar, fora o expulsivo, que, sabe-se lá como seria”, mas respondi :”Não quero ir bem Paty, estou cansada, não vou conseguir, tenho certeza que quero fazer uma cesária”. E logo veio outra dor, acompanhada de gemidos e choro. Daí a importância do Lean e da Paty ao meu lado. Segurar uma bacia e me guiar… Era fácil, qualquer um faria. Difícil era resistir às minhas caras de coitada e seguir firme, acreditando, e, não sei como, me fazendo acreditar que tudo ia dar certo, que eu era mais forte do que eu pensava ser, que nosso limite é sempre muito mais do que achamos ser, e que por gostarem de mim não me deixariam desistir. Sou imensamente grata a eles, por terem ajudado não só no nascimento da minha filha, mas no nascimento de uma nova mulher, mais forte, mais segura, mais mulher do que nunca.

Antes de chegar no quarto, a Paty olhou bem nos meus olhos e falou a frase mais importante do dia: “Camila, seu TP está tão intenso e demorado porque você está parindo dois bebês: a Manuela e o Frederico, o filho que não te deixaram parir”.

Foi o rostinho do Frederico, a determinação de sempre do meu marido e o olhar verdadeiro e seguro da Paty que me fizeram seguir adiante, entrar no chuveiro e ficar sentada na bola de pilates por quase 2 horas.

Até então, essas foram as melhores 2 horas do dia. Como a água quente do chuveiro e a bola ajudaram – bem que tinha ouvido dizer. Eu não pensava em nada, só sentia a água quentinha que caia no meu corpo, na minha barriga. Pensei na minha filha, ela estava ativa o tempo todo (diferente do parto do Frederico, que dormia durante o processo), de alguma forma ela sentia tudo o que eu sentia, estávamos juntas nessas horas e estaríamos juntas para sempre. Aprendi então a controlar as dores, respirando, empurrando a parede e pensando “vai passar, vai passar”. A Paty e o Lean não saiam do meu lado, ouvia uma mistura de sons das conversas, mas não queria parar de me concentrar no relaxamento que a água quente fazia no meu corpo.

Por volta das 5 horas da tarde o Dr. Carlos chegou ao quarto, me examinou e disse: “7 cm de dilatação, tá indo bem”. As dores foram aumentando novamente até irmos à sala de cirurgia, que tentaram deixar com cara de sala de parto, desligando um pouco as luzes e proporcionando um ambiente um pouquinho mais quente e humano. Pouco tempo depois, antes mesmo da Paty e do Lean chegarem na sala, a anestesista perguntou se eu queria analgesia ou não. Isso foi justo na hora em que eu tentava achar alguma parede para empurrar e parar a dor que voltava cada vez mais intensa. Pensei no Lean e na Paty, que eles tentariam me convencer do contrário, já que era esse meu desejo. Mas ali, naquele momento, “dei pra trás”. Me deixei levar pela vontade de ter aquelas dores diminuídas, de quem sabe poder tirar um cochilo até o período expulsivo. Fui fraca e pedi analgesia. Não sei se foi tão ruim assim, mas confesso que se pudesse voltar atrás tentaria ser mais forte e me deixaria levar até o fim, para encarar todos os meus fantasmas, e então viver ainda mais intensamente esse momento natural e mágico ao mesmo tempo. Se terei outra chance, outro filho… Não sei. Mas talvez essa decisão tenha sido a perda de algo ainda mais profundo, e se não há maneira de voltar atrás, tenho de aceitar as minhas escolhas, mesmo que irrefletidas; se assim foi, que assim seja.

Pois bem, confesso que na hora aquela analgesia foi muito boa: relaxei, dormi, um pouquinho, fiquei tranquila. O Dr. Carlos me examinava de tempo em tempo. Logo cheguei a 10 cm (creio que por volta das 7 horas da noite), e logo começaria o expulsivo, o tal momento do parto que sempre vemos em filmes e novelas.

De repente senti vontade de andar e depois sentar na cadeira de parto para fazer força. O Dr. Carlos disse que a Manuela ainda estava alta, mas respeitou minha vontade quase que instintiva. Fiquei na cadeira fazendo força de tempo em tempo; uma força natural, que meu próprio corpo me obrigava a fazer.

relato_camila1Passei de volta para a maca, que estava um pouco inclinada, e as forças começaram a ficar mais intensas; foi quando recomecei a sentir leves dores das contrações. Fiz muita força, fui até a partolândia, gritei, pedi ajuda novamente, mas lembro bem do Dr. Carlos me dizer para acreditar que sozinha eu conseguiria. E assim foi. Depois de 2 horas fazendo muita força e tendo uma torcida de médico, pediatra, anestesista de plantão, anestesista que o plantão já tinha acabado, Lean e Paty sempre ao lado, Manuela coroou. Como boa parte do efeito da analgesia já havia passado, pude sentir ela descendo e meu corpo se abrindo para dar passagem: chegava a queimar (era o tal círculo de fogo que a Betina tanto tinha me dito). Que incrível!, meu corpo e o corpinho da Manuela sozinhos fizemos o trabalho: 27 horas depois que tudo começou, ela NASCEU! Linda, bochechuda, ainda com o cordão pulsando nos meus braços carinhosos e amparada pelo pai sorridente e muito feliz. Assim foram seus primeiros contatos com o mundo, com muito amor, respeito e juntinho de uma mãe radiante.

Ser a protagonista desse momento foi um sonho realizado. Entregar, nas mãos no meu marido, minha filha para o mundo; um mundo repleto de dificuldades, incertezas, frustrações, mas também cheio de alegrias, desafios, conquistas, possibilidades, belezas e vínculos – que seja o pacote completo. As dificuldades, dores e obstáculos moldam a pessoa que nos tornamos a cada dia. A dor está unida à poesia a cada respiro que damos, desde aquele inicial, quando chegamos ao mundo.

E ali estava eu, com minha pequenina nos braços, numa alegria inexplicável, querendo devorar um frango assado inteiro, me sentindo vencedora, capaz e mulher no sentido mais profundo do termo.

Optei, depois de ler muito a respeito, em não dar banho na Manuela logo em seguida. Acreditei na importância da absorção da vérnix caseosa pela pele do bebê. Também optei pela não separação mãe/recém nascido, em receber poucas visitas. Pudemos passar as primeiras noites todos juntos: eu, Lean, Manuela e Frederico, e curtir intensamente aqueles primeiros momentos da nossa nova vida.

Tenho certeza que o fato de ter minhas opções conscientes respeitadas e o não uso da ocitocina sintética me fizeram viver plenamente os dias que seguiram no pós parto.

E assim é a vida, nossas escolhas compõem nossa história, e essa é a história do nascimento da Manuela. História que me trouxe sensações inimagináveis, com a possibilidade de conhecer esse processo mágico da vida que, de forma lamentável, tentam tirar das mãos da mulher.

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