Relato de parto – Camila

Meus pais sempre compartilharam comigo os momentos mais importantes da minha vida e desta vez não seria diferente, por isso eu quis que eles estivessem conosco no pré e pós parto, queria compartilhar o nascimento de nossa filha com eles. Então eles vieram pra cá umas semanas antes da DPP e ficariam até uns dias após o nascimento.

A minha DPP era 08 de junho, mas eu sempre achei que ela nasceria lá pelo dia 15, meu pai apostava que não passaria do dia 05, minha mãe achava que o Dr. Carlos iria acertar em cheio e a minha sogra queria que nascesse no seu aniversário dia 06, muitas apostas, mas eu sabia que ela só viria quando estivesse pronta e quando ela e Deus quisessem.

Tudo começou na última consulta no consultório do Dr. Carlos, no dia 31 de maio. Eu estava muita tranqüila até fazer o primeiro exame de toque. Eu sabia que não era a melhor coisa do mundo, mas era inevitável.

Para a minha surpresa recebi uma ótima notícia: 3,5 de dilatação. Eu logo pensei:”Economizei 3 horas de trabalho de parto sem sentir nada”. O Humberto, meu marido, ficou super feliz pois eu estava iniciando a jornada para ter a nossa primeira filha, a Camila, depois de 10 anos de casados.

Depois daquela terça-feira a minha vida nunca mais seria a mesma. A cada dia tentava manter a calma e pensar que tudo sairia conforme o esperado, ou seja, eu iniciaria as contrações em casa, o Humberto começaria a controlar os intervalos das contrações e quando eu estivesse com contrações de 5 em 5 minutos avisaríamos a Patrícia, que avisaria o Dr. Carlos ,daí  iríamos para o hospital Sta Cruz e lá, se possível teria a Camila na água.

Esse era o plano e o meu desejo. É importante dizer que sempre estive no controle da minha vida e sempre quis controlar todas as nossas ações para que tudo saísse conforme o planejado.

Naquela semana comecei a ficar apreensiva pois a qualquer momento ela poderia nascer, já estava com 38 semanas e 6 dias. Durante os dias que se seguiram comecei a perceber um líquido transparente e gosmento, tipo uma gelatina, resolvi então ligar para a nossa doula e fiel escudeira, a Patrícia. Ela me disse que poderia ser o tampão. Eu avisava o Humberto sobre cada passo e liguei dizendo que o tampão havia saído. Comecei a imaginar que ela não demoraria para nascer. Naquele momento mesmo sem racionalizar o que estava acontecendo, percebi que já não estava mais no controle, meu corpo começava a trabalhar sem eu  precisar fazer nada.

Alguns dias se passaram e no domingo mais tampão, só que mais líquido, fiquei com medo da bolsa ter se rompido e liguei novamente para a Patrícia, ela estava indo para Maternidade Curitiba para acompanhar outra gestante em trabalho de parto e achou melhor eu ir até lá para o Dr. Carlos me examinar. Lá fomos nós para a maternidade, eu , o Humberto e minha mãe. Meu pai teve que voltar pra POA, porque algo muito triste aconteceu inesperadamente em nossa família. No final era só o tampão mesmo e estava com os mesmos 3,5 de dilatação.

Me via querendo controlar a situação, mas o corpo sabe parir e ele ditava as regras. Na manhã seguinte comecei a sentir uma espécie de cólica e aquela dorzinha chata se prolongou ao longo do dia, avisei o Humberto novamente, mas não lembro de ter ligado para a Patrícia.

A noite a dor se intensificou e lá por 20h30 eu fui para o chuveiro pra ver se relaxava um pouco, pois não achava que já estivesse em trabalho de parto, pensei: É muito cedo, ainda nem cheguei em 40 semanas, além disso, todo mundo dizia que por ser a primeira gestação eu provavelmente esperasse até a 41ª.

Estava com 39 semanas e 5 dias nesta noite e vi que não tinha mais como voltar atrás, estava em trabalho de parto.

O Humberto chegou em casa e me viu na cama, eu avisei que as dores estavam mais freqüentes mas que eu não sabia se eram contrações.  Então ele ligou para a Patrícia que pediu para controlarmos os intervalos das contrações até chegar num padrão. As 21h17 ele começou a anotar o início e fim de cada contração e lá por 23h obtivemos um padrão de 30 minutos de intervalo. Mas era muito difícil identificar quando exatamente uma contração começava e terminava.

 Até este momento tudo estava indo conforme o planejado, mas as dores não eram como eu imaginava, eu lembrava da minha mãe me contando que ela não sentiu quase nada, somente cólicas. Comigo foi igual eu não sentia a minha barriga contrair, mas sim uma dor na frente do ventre, ao contrário de muitas mulheres que sentem as dores nas costas.

A s coisas começaram a fugir do meu controle e lá por 1h da manhã percebi que já não diferenciava direito os intervalos das contrações passaram de 30 para 3 minutos. Fiquei com muito medo da Camila nascer aqui em casa e então resolvi que tínhamos que ir para o Hospital. Liguei pra Patrícia e expliquei o que estava sentindo. Ela então disse pra eu avisá-la assim que chegasse no Hospital pois lá o médico de plantão me examinaria e teríamos uma idéia se eu seria internada ou não.No caminho o balanço do carro me incomodou e eu rezava pra chegar logo, ora pedia pro Humberto ir rápido, ora pra ir devagar pois o carro tremia muito e daquele jeito eu não controlava a dor.

Usava as técnicas de respiração que aprendi para controlar a dor e funcionava ou parecia que passavam mais rápido. Chegamos no hospital e fui internada, minha mãe ficou no quarto sozinha, rezando e eu fui com o Humberto para o centro cirúrgico. Liguei novamente para Patrícia e disse que estava bem, mas ainda com 3,5 de dilatação, achei melhor que ela esperasse um pouco para ela não ter que ir para o hospital tão cedo. Combinamos que eu ligaria para ela mais tarde.

 Me colocaram numa sala, pediram para eu me deitar e me colocaram no monitor cardíaco com uma fita para monitorar os batimentos da Camila. Aquela fita começou a ficar apertada na minha barriga, estava novamente me sentindo fora do controle da situação e quase tirei o aparelho sem chamar a enfermeira. Comecei a ficar angustiada, então pedi para o Humberto chamar a Patrícia, já eram mais ou menos 3h do dia 07, uma terça feira, exatamente 1 semana depois da consulta.

Logo uma enfermeira veio me ver, pedi então para sair do monitor e ela consentiu. Logo depois fui para o chuveiro, pois estava com frio e queria aliviar a dor. A Paty chegou e eu estava no banheiro ainda, já tinha tomado umas chuveiradas e consegui ir aos pés. Depois disso ela começou a fazer os exercícios de quadril comigo e usamos a bola de yoga também. Ela talvez não saiba, mas aquilo me deixou segura e mais tranquila, eu ainda achava que conseguiria controlar a situação, rsrsrs.

Resolvemos que seria melhor dormir um pouco, pois talvez ficássemos ali por muitas horas. Me deitei e tirei uns cochilos, o Humberto e ela tentaram dormir debruçados na maca ao meu lado. Uma hora me levantei e comecei a andar frente a frente com o Humberto, balançando o meu quadril. Foi ótimo pois estava em harmonia com a minha família, me sentia protegida ali, mas a dor não passava e eu não via progressos, então a Paty sugeriu que eu fosse para o chuveiro com a bola. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito ali rezei, cantei para Camila como cantava quando estava no chuveiro de casa, entoei muitas canções que gosto, desde Marisa Monte até a Banda mais famosa da Cidade, mas principalmente rezava cantando Pai Nosso, para aceitar o que ainda estava por vir, pois sabia que não seria fácil. A cada contração eu pensava que ela tinha tempo determinado e que iriam passar, as vezes contava os segundos para elas irem embora. Em nenhum momento me dei conta de que eu tinha que rezar pra que elas ficassem e que fossem longas o suficiente para expulsar a Camila.Fiquei no chuveiro até umas 7h da manhã e a Patrícia chamou O Dr. Carlos, que estava em uma cirurgia e não podia me examinar naquele momento, então fui examinada pela obstetra de plantão e mais uma ótima notícia já estava com 8,5 de dilatação.

Novamente pensei que estava tudo sob controle, tive um bom progresso graças ao Chuveiro, a bola e as minhas orações.

Combinamos que era hora de montar a banheira e eu voltei para o chuveiro até que o Humberto e a Paty arrumassem tudo.

Lá por 8h30 entrei naquela água quentinha da banheira e ali fiquei como um peixe, totalmente ambientada, a dor já não era tão forte e percebi que poderia ficar ali por horas. Aliás era tudo o que eu queria, mas não foi bem assim que aconteceu.

As dores ficaram muito fortes e eu não sabia mais o que fazer, elas não iam me abandonar e tudo o que eu pensava era que eu não tinha forças mais para agüentar, o problema não foi a dor, mas sim o cansaço físico e mental, tanto é que nunca cogitei a analgesia.

Eu gritei muito e imaginava que as enfermeiras deveriam estar horrorizadas, eu estava assustada comigo mesma e com a  imagem que estava passando de mim mesma para o meu marido. Fiquei constrangida e com muito, mas muito medo de não conseguir trazer a Camila ao mundo sozinha, mas ao mesmo tempo o meu maior temor seria ter que fazer uma cesárea.

Eu não conseguia me ver parindo a Camila, mas sim numa situação passiva, comecei a fraquejar, mesmo com todos a minha volta dizendo que eu iria conseguir, principalmente o Humberto. 

Ele ria, muito feliz, mas aquilo começou a me incomodar pois só eu sabia o que estava passando, pedi a ele que entendesse o meu momento e o quão difícil estava sendo para mim e ele me respeitou, ficou comigo o tempo todo, me consolando e me trazendo água. Senti muita sede, pois fazia um esforço enorme para expulsá-la e era decepcionante ver que tudo aquilo muitas vezes não a movia nem um cm para fora. O meu desejo de tirá-la de mim com minhas próprias mãos caiu por terra e comecei a ficar muito triste e muito, muito cansada. 

Eu pensei então que não conseguiria tê-la na banheira, mas já não importava mais o meu desejo e sim que ela nascesse. Percebi que seria melhor tê-la na cama, pois ali eu conseguia fazer mais força. O Dr. Carlos concordou e estava ali para me ajudar, ele então tentava me orientar para que eu aproveitasse melhor cada contração, mas mesmo assim ela não saiu ao natural. Ele sugeriu a Ocitocina, pois a Camila já estava ali por mais de 3h e eu de forma passiva e não mais ativa concordei. Eu estava consciente do que a Ociocina iria fazer comigo, me preocupei com a dor e com os efeitos que a Ocitocina teriam na Camila, mas novamente pensei, vou fazer qualquer coisa  para que ela nasça, não estava agüentando mais e acho que nem ela, nem ninguém mais naquela sala.

Então com mais alguns poucos esforços e na minha cabeça mais umas 5 contrações a Camila nasceu, a dor eu nem lembro mais, apesar da laceração que tive previamente anestesiada pelo Dr. Carlos.

 Já o alívio dela conosco no meu peito foi imediato. Tínhamos vencido, nós três aquela árdua jornada. Me senti a mulher mais forte do mundo. A Camila nasceu chorando e parou assim que se aconchegou em mim e logo depois, após somente 5 min. e com a ajuda da Patrícia, sugou o meu peito e não largou mais, isso compensou todo o meu sofrimento.

Fiquei em trabalho de parto até as 14:12 do dia 07 de junho de 2011, mas teria ficado quantos horas mais fossem necessárias para sentir a mesma emoção de ter a nossa filha nos meus braços, emoção essa que é indescritível, daquelas que você ri e chora ao mesmo tempo, sente alívio e desespero, alegria e tristeza, segurança e medo da nova vida, totalmente sem freios, descontrolada e paz, muita paz.

Texto resumido:

Tudo começou numa terça-feira, na minha última consulta com o Dr. Carlos. Estava com 38 semanas e 6 dias e já estava com 3,5 de dilatação.

Naquela mesma semana, lá por quinta feira o tampão começou a sair e fui assim até o domingo, quando senti que a hora estava se aproximando, pois desta vez havia saído uma quantidade maior de líquido. Naquela mesma noite a Paty achou melhor eu ver o GO e definir se a bolsa havia rompido, pois eu achava que sim, mas era só o tampão mesmo.

Na segunda-feira logo pela manhã comecei a sentir cólicas na frente da barriga, pareciam cólicas menstruais. Perto do almoço liguei para o Humberto e avisei o que estava acontecendo, também avisamos a Paty e identificamos que a fase latente havia começadoaquilo poderia durar 2 horas, assim como também 2 semanas.

 Fiquei assim até a noite, sem sentir que a minha barriga contraía e por isso não dei importância, mas me preocupei em pedir para o Humberto verificar se o Dr Petrini, pediatra que escolhemos para acompanhar o nascimento estaria ou não de plantão no Hospital Sta Cruz naquela noite. Neste momento o Humberto percebeu que a nossa hora havia chegado.

 As “cólicas” foram ficando mais frequentes e apesar de ter tentado relaxar em casa, tanto no chuveiro, como na cama, nada adiantou. Eu não conseguia dormir, aquilo era tudo muito diferente do que eu havia imaginado e o Humberto controlou os intervalos irregulares das contrações até 1h da manhã do dia seguinte. Foi quando eu resolvi não arriscar e avisei a Paty que estávamos indo pra maternidade.

Mais ou menos 2h30 eu fui internada com os mesmos 3,5 de dilatação.

A Patrícia chegou mais ou menos 2 horas depois pois havíamos combinado que eu a chamaria quando achasse necessário.

 A minha mãe ficou aguardando no quarto 222, aonde posteriormente ficaríamos hospedados.

Durante a madrugada pude sentir todo o amor e apoio do Humberto e a dedicação da Patrícia, os dois ficaram comigo o tempo todo e isto fez toda a diferença.

A paty me sugeriu ir para o chuveiro com a bola de yoga eu aceitei a sugestão. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito, ali fiquei a vontade com os meus pensamentos, canções e orações, somente eu e meu bebê. Conversava com ela e cantava para controlar as contrações. Ao sair do chuveiro a Ginecologista de plantão me fez um exame de toque e para a nossa felicidade eu havia atingido 8,5 de dilatação. Todos ficaram surpresos e a Patrícia achou que era hora de montar a banheira.

Voltei para chuveiro mais um pouco enquanto o Humberto e ela preparavam tudo para o nascimento da Camila na água. Estava muito feliz, pois esse era o meu desejo e eu estava quase lá.

Alguns minuto depois fui para a banheira, eles haviam preparado tudo, até mesmo a luz foi desligada deixando somente uma espécie de abajur no canto da sala ao lado da banheira. Tudo estava pronto, só faltava a Camila para a festa ser completa.

O Humberto sentou em uma cadeira e ficou fazendo massagens em mim, isso me fez sentir segura, mas eu estava começando a ficar bastante cansada eu já não conseguia controlar mais as contrações.

Por volta de 10h30 o Dr. Carlos entrou na sala de parto e me examinou na banheira, com todo o cuidado e finalmente atingi 10 de dilatação, pronto agora era só faltava a Camila nascer.

Por vezes pensei que não ia conseguir, mas tentavam me convecer do contrário. A Paty me dizia: “Ela esta aqui Grace, bem baixinha já, mas eu não a sentia. O Humberto também me encorajou e rindo, lindo dizia:  “É claro que tu vai conseguir”, só que eu estava apavorada.

Não cheguei a pedir a analgesia, pois não senti necessidade e afinal de contas eu havia me preparado para tê-la ao natural, mas senti que o medo estava me dominando, medo de expulsá-la, medo do desconhecido e de sentir muita dor.

Não lembro que horas o Dr. Petrini(Pediatra) entrou na sala, só lembro que alguém falou: “Agora ela já pode nascer”.

Fiz de tudo para tê-la na água, mas o Humberto me disse que cheguei a ficar 20 minutos sem sentir nenhuma contração, então pensei, a banheira está me deixando relaxada demais e senti que eu precisava de ajuda.

Eu já estava a mais de 3 horas com 10 de dilatação e nada dela vir.

Conversei com o Humberto e com o Dr. Carlos, pois achava melhor sair da banheira e ir para a cama, ali o Dr. Carlos poderia me ajudar e a Camila nasceria com certeza.O parto foi ativo e natural até este momento. 

Já na cama o Dr. Carlos sugeriu a Ocitocina pois eu não tinha contrações longas o suficiente para expulsá-la. 

Após a aplicação da ocitocina e mais algumas poucas contrações a Camila finalmente nasceu com 3,035kg e 49cm  às 14h12 do dia 07 de Junho de 2011, um dia antes da DPP.

Senti um alívio imediato e logo depoiso Dr. Carlos colocou a Camila no meu peito. A esta altura eu e o Humberto éramos só lágrimas de felicidade. A Paty me ajudou a colocar a Camila para mamar e em questão de alguns minutos conseguimos, a Camila sugou o meu peito e já  estava completamente adaptada ao meu colo.

Não consigo descrever a sensação de ter minha filha nos braços, só sei que foi muita emoção, eu ria e chorava ao mesmo tempo. E tudo o que eu queria era abraçá-la e ficar ali olhando pra ela com o Humberto e foi o que fizemos.

Agradeço a Deus por ter tido esta experiência junto de pessoas que eu escolhi para estar e que foram primordiais para o parto, dentre elas meus pais que estiveram conosco no pré e pós parto, ao Dr. Carlos que permitiu que me permitiu um parto ativo, a nossa Doula Patrícia a quem eu sempre serei grata pelo carinho e acompanhamento antes, durante e depois do parto,ao Dr. Petrini que permitiu que a Camila ficasse o tempo todo conosco e ficasse no colo aquecido de seus pais ao invés do berçário e ao meu marido Humberto, super corajoso e fiel ao que eu desejei para o meu parto. Ele foi incondicionalmente paciente nas horas mais difíceis e participou intensamente do nascimento da nossa filha.

A experiência de ter vivido um parto normal me transformou. Hoje me sinto forte e realizada como mãe. Durante o trabalho de parto me senti ativa e juntamente com o Humberto tomei as decisões de acordo com o que havíamos planejado. O parto da Camila foi a realização de um sonho e tê-la conosco hoje é uma alegria, a nossa família finalmente está completa. 

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