Relato de parto – Mariana e Eleonora

Eleonora foi um bebê muito esperado e planejado. Desde que decidimos que estávamos prontos para sermos pais comecei a pesquisar sobre parto para escolher um plano de saúde que tivesse bons médicos e bons hospitais, até então eu achava que isso seria suficiente, ainda não sabia o que era um parto humanizado.

Minha mãe teve uma cesárea e um parto normal, e me dizia que pra ela a recuperação do parto normal foi mais difícil porque ela levou muitos pontos e eles inflamaram. Pra mim não fazia sentido o médico ter que “cortar” o períneo pro bebê passar, não é um parto normal? Não seria mais natural deixar a natureza agir?

Foi aí que comecei a procurar informações na internet, e achei vários blogs que falavam sobre a episiotomia (que não era necessária) e sobre o parto humanizado, encontrei também a GPM, uma comunidade no Orkut de mulheres que me ajudaram a pensar no parto com muito carinho, e onde eu percebi que um parto humanizado seria a melhor forma de trazer um bebê ao mundo. Também me indicaram o trabalho do Dr. Carlos e da Patricia (doula) para me acompanhar durante a gestação e o parto.

Fiz o plano de saúde, esperei uns 3 meses por causa da carência do plano para o parto, e logo no primeiro mês de tentativa estava grávida. Com 4 semanas de gestação descobri a gravidez, com 16 semanas descobrimos que teríamos uma menininha: a Eleonora. A gravidez foi super tranquila, enjoei pouco, tive poucos desconfortos.

Com 38 semanas e meia, consulta de rotina no Dr. Carlos, ele sugeriu que fizéssemos um exame de toque só pra saber se tinha alguma evolução, eu aceitei apesar de achar que não devia ter nenhuma dilatação, afinal eu nunca tinha sentido uma contração até então, só as de treinamento de vez em quando, mas que não me incomodavam. Pra minha surpresa, 3 cm de dilatação e bebê baixo! Fiquei feliz, sabia que ainda podia demorar alguns dias pra ela nascer, mas já era um sinal de que o trabalho de parto podia ser mais rápido.

Isso foi numa quarta-feira, na sexta fomos na Pati fazer um “ultrassom natural” (pintar o bebê na barriga rsrs) e conversar sobre o parto com outros casais que também estavam esperando bebê pro mês de julho. No domingo minha barriga baixou ainda mais, mas eu acreditava que ela só nascia no final da semana, meu aniversário era terça e eu achei que ela ia querer um dia só dela.

Segunda terminei as últimas encomendas que eu tinha pra entregar, e quando estava terminando as lembrancinhas da maternidade da Eleonora senti uma contração, eram umas 8 horas da noite e eu ainda não tinha certeza que era realmente uma contração, mas pensei comigo “Acho que é um sinal, ela já está pronta pra nascer”. Terminei as lembrancinhas, o quadrinho da maternidade, terminei de arrumar as malas e fui tomar um banho, depois do banho olhei pra barriga e disse pra Eleonora “Agora já tá tudo pronto filha, você já pode nascer” e fui dormir.

Acordei as 2:30 com uma contração, agora tinha certeza que era uma contração mesmo, tentei dormir mas acordei uns 20 minutos depois com outra contração, resolvi ficar acordada e marcar o intervalo entre elas, começaram a vir a cada 5 minutos e duravam cerca de 40 segundos, agora eu tinha certeza que estava mesmo em trabalho de parto. Acordei meu marido, e disse a ele que nossa filha queria nascer, ele ficou todo feliz e foi ligar pra Patricia pra avisar, ela pediu pra contarmos as contrações por mais meia hora e ligar pra ela novamente, vinham a cada 4 ou 5 minutos, ligamos de novo e ela disse pra eu ir pro chuveiro pra ver se o intervalo continuaria o mesmo, fiquei lá uma meia hora, as contrações estavam a cada 3 minutos durando 50 segundos, mas ainda bem suportáveis, a Patricia disse pra eu comer alguma coisa leve e ir pra maternidade. Fomos eu e meu marido conversando no caminho entre as contrações, a lua estava linda, era lua cheia, chegamos lá uns 6:00hs, não tinha ninguém na recepção, meu marido teve que ir atrás de alguém para nos atender, depois de uns 20 minutos o médico de plantão veio me examinar, 6 cm de dilatação, avisamos a Pati e em 5 minutos ela estava lá, fomos para o quarto e ficamos conversando entre as contrações. Ao contrário da maioria das mulheres não quis ficar me movimentando, a posição que me deixava mais confortável era sentada, e ficamos ali, vinha a contração, a Pati fazia massagem, a contração passava, ficávamos conversando. Quando resolvi levantar me deu enjoo, vomitei, acho que era a fase de transição, já estava perto da minha menininha nascer.

Umas 8 e pouco o Dr. Carlos chegou fez um exame de toque, já estava com 9cm de dilatação, ele disse que logo teríamos que ir para o Centro Obstétrico, a Pati perguntou se eu queria ir pro chuveiro disse que sim, a dor começava a ficar mais forte. Acho que fiquei uns 20 minutos no chuveiro mas não estava confortável, resolvi sair e ficar sentada na bola, o Dr. Carlos perguntou se eu estava com vontade de fazer força ou sentindo uma pressão, falei que estava sentido uma pressão, ele achou melhor irmos para o CO.

Fui andando, umas 3 contrações no meio do caminho, parava, abraçava o marido e continuava. Cheguei lá, a Pati e o Eduardo trocaram de roupa rapidinho e logo estavam lá comigo. Sentei na maca, a enfermeira deixou ela inclinada, fiquei quase sentada, me senti confortável e resolvi ficar nessa posição, logo veio a vontade de empurrar, mas não sei porque eu fiquei com um certo “medo” de fazer força, foi quando a Pati me disse se tiver vontade de fazer força, empurra que a dor diminui, na próxima contração fiz força e realmente a dor diminuía, mas eu estava fazendo uma força “curta”, a Pati disse tenta fazer uma força mais comprida. Foi aí que eu empurrei e senti ela descendo, a contração passou, eu respirava esperando a próxima, veio outra contração, fiz força de novo, mais uma contração e acho que um terço da cabeça dela já tinha saído, meu marido disse “Amor, já dá pra ver o cabelinho dela flutuando”, a bolsa não tinha estourado, dava pra ver o cabelo dela flutuando no líquido, que eu só vi no vídeo depois, fiquei o tempo todo de olho fechado, estava na partolândia, concentrada em cada contração. Quando a contração passou eu quis fazer força pra ela nascer logo, afinal ela já tava ali embaixo, mas pensei que eu tinha que esperar a próxima contração pra não lacerar, tudo isso em segundos… Respirei e esperei a próxima contração, escutei a Pati falando “Na próxima a Eleonora vem” E a contração veio, fiz força, saiu a cabeça, a bolsa estourou, saiu o corpinho e enquanto o Dr. Carlos tirava a circular de cordão ele perguntou “Quer pegar?” Eu nem pensei, estiquei os braços e peguei minha filha, abracei, beijei, Eleonora, minha Lola estava nos meus braços, mal podia acreditar, meu marido que ficou do meu lado o tempo todo segurando a minha mão, me abraçou e ficamos um tempinho ali nós três, nossa família! Logo o cordão parou de pulsar e o Eduardo cortou, o pediatra levou ela, o Eduardo foi junto, e eu fiquei ali esperando a placenta sair, não tive laceração. Era meu aniversário e a enfermeira veio com a pulseirinha de identificação e disse que ela nasceu as 9:40hs, a mesma hora que eu havia nascido. Ela não foi aspirada, não teve colírio de nitrato de prata, também não tomou banho. Logo fomos para o quarto.

Foi tudo lindo, perfeito, ainda melhor do que eu podia imaginar. Poder sentir cada contração, sentir ela cada vez mais perto, poder segurá-la e abraça-la assim que ela nasceu, no dia do meu aniversário, na hora em que eu nasci! Com certeza o melhor presente que eu podia ganhar!

Curta e compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>