Relato de parto – Michele e Marina

Na gravidez da minha primeira filha Giovana, há cinco anos, queria muito um parto normal. Sempre tive boas referências do parto normal, então para mim não fazia muito sentido marcar uma cesárea. Mas na metade da gravidez, descobri que meu médico tiraria férias no dia que completava 40 semanas, procurei outros médicos, mas nenhum se dispôs a fazer um parto normal. Então decidi induzir o parto na véspera de completar 40 semanas. Começamos a indução às 7:00 e às 15:30 não conseguimos ver nenhum avanço, não senti nenhuma contração nem dilatei nada, apesar de já estar com 5 cm há mais de uma semana. Acabamos fazendo uma cesárea, o que me deixou muito triste, mas minha recuperação foi bem tranquila.

Desde que a Giovana nasceu sonhava com a possibilidade de um VBAC, sabia que algumas coisas poderia ter sido feitas diferentes e que talvez pudéssemos ter evitado a cesárea. Sentia culpa de não ter me esforçado mais para procurar outro médico que apoiasse o PN. Então dessa vez queria fazer diferente, mas não achava que ter um PN seria tão difícil. O que descobri nessa segunda gravidez foi que precisamos confiar totalmente na equipe que nos acompanha, procurar profissionais que sem dúvida fariam tudo para que o PN acontecesse.

Iniciei então a procurar essa equipe, passei por cinco médicos até que consegui chegar no Dr. Carlos Miner. As referências não poderia ser melhores, ouvi vários relatos de partos normais feitos por ele. E também decidi que queria o acompanhamento de uma doula, pois sabia que o apoio emocional, num momento como o parto, faria toda a diferença.

Passei a frequentar os encontros de discussão sobre o parto conduzidos pela Patty e lá descobrir o parto natural humanizado e fiquei encantada. Eu antes falava que queria muito um parto normal, mas uma das exigências era que não sentisse dor, afinal de contas a anestesia podia trazer um alívio enorme. Mas aos poucos fui vendo que a mesma coisa que poderia me dar um alívio para a dor, poderia também atrapalhar o parto e aumentar as chances de uma cesárea. Comecei a me convencer que eu poderia aguentar a dor, li e ouvi vários relatos de parto e vi que muitas mulheres conseguiam parir sem analgesia, então eu também iria tentar. Me sentia muito segura com tudo o que ouvi nos encontros, havia achado alguém que apoiava totalmente o PN, mas que não era radical, isso pra mim fazia toda a diferença.

No dia 29/06, uma sexta, fomo s à consulta de 38 semanas. Neste dia eu estaca com 38 semanas e 4 dias, mas ainda achava que ia demorar bastante para a Marina nascer. O dr. Carlos fez o exame de toque e viu que estava com o colo bem amolecido e com 3 cm de dilatação na parte interior do colo, e na parte exterior com 6 cm, mas o que realmente importa é a medida interna. Era bom saber que o meu corpo estava trabalhando, que já havia começado a dilatar. O Márcio perguntou ao Dr. Carlos quando ele achava que a Marina iria nascer e ele falou que demoraria pelo menos mais uma semana. Eu achava que só iria nascer depois que fizesse 41 semanas.

No dia seguinte era o aniversário do Márcio e resolvemos sair para comemorar e jantar num restaurante que adoramos. Quando estava me arrumando, fui ao banheiro e vi que o tampão estava começando a sair. Mais uma vez fiquei bem feliz, mas consciente que ainda poderia demorar umas 2 semanas para que a Marina resolvesse nascer. No dia seguinte (domingo), pela manhã, saiu o resto do tampão.

Na segunda, quando completei 39 semanas, recebemos uma notícia muito triste. Minha irmã, que morava em outra cidade e estava internada no hospital há 50 dias, havia falecido. Foi um choque, não esperava por isso. No dia seguinte, chorei muito lembrando dela, lendo os depoimentos dos amigos no facebook.

Na quarta às 21h, estava terminando de colocar a Gigi para dormir e senti a 1ª contração dolorosa. Ai desci para assistir TV com o Márcio (meu marido) e percebi que as contrações continuavam a vir de forma bem irregular, com 30, 15, 7, 5 minutos, bem bagunçado. Fiquei bem feliz, mas ao mesmo tempo pensando que poderia ser um alarme falso. Umas 00:30h fomos deitar e eu comecei a marcar as contrações num programa que baixei para o celular, estavam inicialmente de 20 em 20 min, depois de 15 em 15, mas o importante é que estavam regulares. Entre uma contração e outra eu conseguia cochilar. Nessa hora só me vinha à cabeça o que a Patty falava, que era muito importante dormir entre uma contração e outra, pois se o trabalho de parto se prolongasse muito eu estaria descansada. A partir das 3h não consegui mais dormir, pois as contrações começaram a ficar mais próximas e a ficha começou a cair que a hora finalmente tinha chegado. Meu maior medo era não conseguir entrar em trabalho de parto, mas vi que meu sonho estava se tornando real!

A dor estava bem suportável e continuei deitada, procurando relaxar sempre que vinha uma contração. Nessa hora também lembrava que a Patty falava que era importante relaxar, pois se eu ficasse tensa poderia acabar afetando o trabalho de parto. Às 4h a bolsa estourou e eu corri para o banheiro, vi que o líquido estava bem claro com um cheiro de água sanitária. Nessa hora eu acordei o Márcio e pedi para ele ligar para a Patty, ela perguntou qual era a frequência das contrações e eu disse que há algum tempo estava de 15 em 15 minutos, mas agora estavam começando a ficar mais próximas. Ela pediu para a gente ligar de novo quando a dor começasse a ficar mais forte.

Nessa hora eu pedi para o Márcio finalizar as malas e fui me deitar um pouco. Vi que já estava com contrações a cada 4 minutos e estavam começando a ficar mais forte, mas ainda bem toleráveis. Sempre que vinha uma eu pedia para ele parar o que estava fazendo e vir fazer uma massagem nas minhas costas. Isso me dava um alívio enorme, mais emocional que físico, mas ainda assim sabia que não estava passando por aquilo sozinha e isso me tranquilizava muito.

Acho que às 5:30 eu não aguentei mais e fui para o chuveiro, pois comecei a sentir muita dor e não estava mais conseguindo ficar deitada. Inicialmente fiquei sentada num banquinho, mas depois comecei a sentir a necessidade de me mexer então fiquei de joelhos no chão, pois podia assim tinha mais mobilidade. A dor estava muito forte, mas eu não tinha muita referência então não sabia se ainda deveria esperar mais um pouco ou se já devia ligar para  Patty. Mas comecei a sentir muita pressão lá em baixo, então umas 6:15 eu pedi para o Márcio marcar a frequência das contrações e vimos que estava de 3 em 3 minutos. Nessa hora ele ligou para ela e a recomendação era que fossemos para o hospital. Fiquei bem feliz, pois não achava que iria aguentar muito mais tempo essa dor.

Saímos de casa às 6:45 e fomos direto deixar a Gigi na escola, que abria às 7:00. O caminho até a escola foi relativamente tranquilo, senti umas 3 ou 4 contrações, mas foi bem mais fácil de suportar do que eu imaginava, pois sempre ouvia que o caminho até o hospital era muito tenso, pois a pessoa ficava sem posição, mas eu fui sentada no banco da frente e deu tudo certo. Havíamos combinado de encontrar a Patty lá, então deixamos a Gigi, pegamos a Patty e seguimos para o hospital que ficava bem perto. No caminho a Patty ligou para o Dr. Carlos e disse que as contrações já estava numa frequência a cada 1,5 minutos. Mais ou menos às 7:10 chegamos no hospital e uns 5 minutos depois eu fui para a sala do plantonista ser examinada.

O médico disse que eu estava a Marina ainda estava alta, mas que eu já estava com 9 cm! Quase não acreditei!!! Achei que estaria com bem menos e que ainda iria demorar um pouco. Isso me deu uma injeção de ânimo! Subimos para o centro obstétrico, Nessa hora lembro que um moço do hospital queria que eu sentasse numa cadeira de rodas, mas eu não queira, só aceitei porque ele concordou que pararia se eu tivesse alguma contração. Trocamos de roupa e fomos para uma sala. Sempre que eu sentia uma contração me apoiava na Patty e ela fazia uma massagem nas minhas costas. Ai perguntei onde estava o Márcio e a enfermeira disse que ele ainda estava lá em baixo preenchendo a papelada para o internamento. Logo depois o Dr. Carlos chegou e disse que eu já estava com dilatação total e que iríamos para outra sala. Perguntei de novo sobre o Márcio e ele ainda estava lá em baixo, ai me irritei e disse pra enfermeira que se o meu marido não fosse logo liberado para subir e assistir o parto eu iria lá para o estacionamento, mas não ia ter minha filha sem a presença dele. Ela deve ter me achado uma louca, mas não estava nem ai J. Depois a Patty me disse que a enfermeira não estava achando que ia nascer logo.

Fomos para a outra sala e o Márcio logo chegou, o que me deu um alívio enorme! Perguntaram qual a posição que eu queira ficar e eu preferia ficar em pé, mas falaram que ela estava quase nascendo e me sugeriram ficar na escadinha. O Márcio ficou no degrau de cima e eu até tentei me sentar, mas não estava achando uma posição confortável, então colocaram um lençol no chão e eu me sentei apoiando minhas costas no Márcio. Entre uma contração e outra eu não senti dor, só muita pressão. O Dr. Carlos falou que ela estava descendo e eu perguntei do círculo de fogo, pois ainda não estava sentido nada, mas a Patty falou “Na hora que vier você vai sentir”. Entre uma contração e outra eu não sentia dor, só muita pressão. Procurei ficar bem concentrada, de olhos fechados. Ai ela começou a coroar e me perguntaram se eu queria sentir a cabecinha dela, mas não quis. Acho que depois de umas duas contrações ela nasceu, às 8:03. Ela saiu de uma vez só, a cabeça e o corpo numa mesma contração. Foi tudo muito rápido, acho que depois que eu me sentei não demorou nem 15 minutos para ela nascer.

Logo que ela nasceu veio para o meu colo e o Márcio cortou o cordão quando ele parou de pulsar. Ela ficou alguns minutos no colo e depois foi ser examinada pela neonatologista. Eu subi na maca e o dr. Carlos me disse que não precisaria levar nenhum ponto, pois só havia algumas lacerações de 1º grau. Em seguida a Marina veio de novo para o meu colo e já começou a mamar. Pegou o peito direitinho e ficou lá por 40 minutos. Fomos para o quarto e assim que cheguei já fui tomar um banho. Estava me sentindo super bem!

Foi um parto natural humanizado, do jeito que eu sempre sonhei. Na verdade, foi até melhor, pois não achava que seria tão rápido. Consegui não tomar a analgesia e não precisei levar nenhum ponto. Eu trouxe minha filha ao mundo, no meu tempo, com o apoio que eu precisava. Só tenho que agradecer à equipe que me acompanhou e ao meu marido que foi fantástico. Muito obrigada Paty e Dr. Carlos, a presença e o apoio de vocês foi fundamental!!!

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